Buscar

Um breve olhar por de baixo da burca

Dubai, Emirados Árabes Unidos


Os homens vestem branco e as mulheres vestem preto. Essa foi a primeira coisa que notei ao desembarcar em Dubai, nos Emirados Árabes.

Não vou falar aqui dos porquês da diferença de cores. Mas posso adiantar que são razões muito mais culturais do que religiosas, aparentemente.

O que me toca, é que no caso das mulheres, sempre me pareceu uma roupa muito quente e um grande tédio usa-la todos os dias, além de um tanto amedrontadora e sufocante, independente do seu significado cultural-religioso que eu até então, pouco conhecia.

Aprendi que segundo a religião, elas podem apenas mostrar o rosto e as mãos. Aquelas que tampam praticamente toda a face e até os olhos, são de específicas culturas mais tradicionalistas. Em algumas culturas antigas, por exemplo, se usava uma máscara parecida com um falcão negro para se designar as mulheres solteiras das casadas. Imagina isso no happn, minha gente? Só crush mascarada.


Por baixo elas usam roupas "normais", incluindo jeans, shorts, saias curtas e inclusive lingeries, se é que você está se perguntando isso. As Abayas e Hijabs nomes dos respectivos vestidos e lenços que vestem, ou mesmo as burcas e Niqabs, que cobrem praticamente todo o corpo, são apenas a roupa que elas põem por cima para sair na rua e preservar sua modéstia, assim como pede o Alcorão, segundo uma das representantes do Sheikh Mohammed Center for Cultural Understanding, que fazia uma apresentação sobre o Islã, na Mesquita de Jumeirah, única que aceita visita de pessoas não praticantes da religião, em Dubai. Ela também disse: "Por baixo do Niqab posso usar o que eu quiser e me sentir bonita. Não se trata de se vestir para os outros e sim para mim."



No Museu dedicado a história das Mulheres Islãmicas, no bairro de Deira, a guia também me disse que não se trata de libertar ou empoderar a mulher muçulmana, que muitos de nós - e me incluo nisso - as olham com olhos de dor e imaginam que elas sofrem e são obrigadas a se vestirem dessa maneira. "Não somos. Há no mundo mais de 2.5 bilhões de muçulmanos. Nem todas vivem essa realidade que a tv fala!", ela disse.


Fiquei um tanto impressionada e ao mesmo tempo triste ao ouvi-las, pois me fez pensar em como precisamos constantemente da atenção e afirmação das pessoas a nossa volta, para nos sentirmos bem conosco mesmos, inclusive na maneira como nos vestimos e em como também vivemos uma falsa liberdade.


Sem querer filosofar e entrar na brisa do que é liberdade, mas gosto de pensar que parte da liberdade é viver da forma que lhe parece melhor, de acordo com seu coração e crenças, sejam elas quais forem.


Essas mulheres, por exemplo, me disseram viver em sua plena liberdade de escolhas. Mas minha tristeza não se trata apenas do meu sentimento com relação a vestimentas na cultura-religião islâmica. Essa falsa liberdade está de várias formas nas muitas religiões, nas sociedades, nas ruas, nas escolas e dentro das nossas casas.


É quando nos colocam numa caixa e nos falam:"Essa é a sua caixa e ai dentro você pode ser o que quiser. Seja feliz!"Ai vamos sendo felizes, cada um nos limites da sua caixa. Eu na minha, elas nas delas, você na sua e a grande maioria de nós segue olhando feio pra caixinha ao lado, sendo que estamos todos embrulhados juntos e somos despachados pro mesmo lugar.


Deixo os Emirados, com alguns novos aprendizados, velhos sentimentos ainda para serem digeridos e novas caixas abertas.


Obrigada e Salaam Aleikum Dubai!